O vírus causador da GRIPE "viaja" pelo ar no interior de pequenas gotículas (aerossóis) de secreções pulmonares que podem ser dissipadas através da tosse, espirro ou mesmo durante uma simples conversa. Os seres humanos se infectam com estes microrganismos DIRETAMENTE ao inalarem tais gotículas e indiretamente entrando em contato com superfícies contaminadas (corrimão, maçanetas, caixas eletrônicos, teclados de computador e outras) e posteriormente de maneira involuntária tocando nariz, boca e os olhos. O contágio também se dá quando as pessoas compartilham copos, alimentos e até mesmo o cigarro umas com as outras.
Para esclarecer o significado da letra "A" que compõe a denominação do vírus causador da atual pandemia, é preciso inferir na biologia deste microrganismo. Os vírus Influenza são organismos pertencentes à família dos ORTOMIXOVÍRUS e são divididos em três tipos, a saber: Tipo A, tipo B e tipo C. Os vírus do tipo C não registraram até o momento epidemias, os do tipo B podem resultar epidemias e atingem SOMENTE seres humanos principalmente crianças, os vírus do tipo A podem promover doenças que vão da moderação a severidade, afetam além dos seres humanos também os animais e podem levar a pandemia.
Em todo o planeta o vírus Influenza (gripe comum ou também chamada sazonal) é largamente disseminado, além dos tipos acima citados os vírus também produzem CEPAS (populações) distintas e podem sofrer alterações de superfície (mudanças antigênicas leves). Sendo assim a cada ano a Organização Mundial de Saúde (OMS) através de seus mais de 100 laboratórios credenciados, coleta as várias cepas de vírus Influenza circulantes, que são caracterizados e a vacina é reformulada a cada ano.
O AH1N1 é um vírus "híbrido", ou seja, possui material genético da Influenza humana comum, da Influenza aviária e da Influenza suína, fragmentos destes vírus se reuniram e originaram o vírus da "nova gripe". O vírus Influenza possui o material genético composto pelo Ácido Ribonucléico (RNA) outros vírus que também possuem material genético composto pelo RNA são: vírus HIV causador da SIDA (Síndrome da Imuno Deficiência Adquirida), vírus da poliomielite, vírus da raiva dentre outros. Estes microrganismos são acelulares, necessitam de uma célula hospedeira para sua reprodução bem como parasitam células específicas.
A revista Nature publicou recentemente um dos primeiros artigos científicos originados de estudos feitos com o AH1N1, 14 Instituições de pesquisa se uniram para produção dos resultados divulgados pela revista. Os experimentos compararam o vírus da gripe suína a outras cepas de vírus da gripe comum (chamados de CONTROLE). O estudo possibilitou resultados que traçam diferenças importantes entre o AH1N1 e as demais cepas de vírus da gripe comum, o que deveria fazer com que alguns revissem com cautela dizeres frequentes do tipo: "a gripe suína é tão mortal quanto à gripe comum..." ou algo do tipo:" a gripe comum mata mais que a gripe suína...".
Não pelo fato da nova gripe ser causada por um vírus estruturalmente semelhante ao vírus da Gripe Espanhola (H1N1) que dizimou do planeta algo entre 20 a 100 milhões de habitantes (1918-1919), mas pelos resultados demonstrados que apontam o AH1N1 como mais perigoso que as cepas já conhecidas com este fato concordam os 54 pesquisadores responsáveis pela condução elaboração e divulgação deste importante estudo divulgado na revista Nature sob o título: In vitro and in vivo characterization of new swine-origin H1N1 influenza viruses.
Abaixo alguns resultados revelados no artigo:
(A)- Para matar 50% dos camundongos foi usada uma dose de vírus (número de vírus) 90% MENOR de vírus AH1N1 do que a dose usada de cepas de vírus da Influenza comum para matar a mesma porcentagem de camundongos.
(B)- Os animais inoculados com AH1N1 produziram BRONQUITE e uma MODIFICAÇÃO nos alvéolos pulmonares bastante acentuadas, detectou-se a presença do AH1N1 em regiões MAIS PROFUNDAS do pulmão dos animais, e ainda houve DESTRUIÇÂO de células do PULMÃO, que não são afetadas pelos vírus comuns. Estas diferenças progridem seis dias após a infecção.
As citocinas coordenam por assim dizer a resposta imune do organismo, no entanto frente a microrganismos mais virulentos as células de defesa que produzem tais substâncias podem perder a capacidade de regular a quantidade de citocinas, levando a determinadas células do sistema imunológico a agir indiscriminadamente passando a atacar células do próprio organismo, destruindo tecidos ao invés dos vírus.
Frente a esta realidade deve-se agir de maneira cautelosa para evitar a exposição ao vírus e posterior desenvolvimento da doença.
As autoridades sanitárias americanas também orientam como forma de aumentar a resistência do organismo, que as pessoas se imunizem contra a gripe comum. Dormir no mínimo 8 horas por dia, beber líquidos em abundância, consumir alimentos nutritivos e praticar exercícios físicos, também são formas de "auxiliar" a plenitude do sistema imunológico. O Ministério da Saúde recomenda que o espaço doméstico seja arejado e receba luz natural (sol) para ajudar a eliminar os possíveis agentes das infecções respiratórias.
Saiba mais sobre o assunto acessando os links:
http://tree.bio.ed.ac.uk/
https://www.wiki.ed.ac.uk/display/Epigroup/
http://influenza.bio.ed.ac.uk/
http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1534
http://www.who.int/csr/disease/swineflu/en/index.html
http://www.cdc.gov/h1n1flu/
http://www.anvisa.gov.br/
Autora: Profa. DSc.: Flávia Cecílio Ribeiro Bregagnoli (Docente do UNIFEG. Doutora em Microbiologia Agropecuária pela UNESP/Jaboticabal). Departamento de Ciências Biológicas - UNIFEG.