O analista de suporte e redes, José Teodolino: "os números apresentados pela saúde pública justificam o pânico da população"
Alunos, professores, funcionários e diretores do Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé deram suas opiniões sobre a Gripe H1N1, que se popularizou como gripe suína e tem causado pânico em várias partes do mundo. Para alguns, ela é mesmo digna de cuidados excessivos enquanto outros acreditam em partes na propagação da doença. Entre os entrevistados há, ainda, quem se mostre seriamente preocupado ou conteste o perigo de pandemia. Isto, independentemente dos números e noticiários sobre a questão.
Na opinião do analista de suporte e redes, José Teodolino dos Reis Custódio, todo cuidado é pouco: "os números apresentados pela saúde pública justificam o pânico da população. Aqui, no Centro Universitário, por exemplo, nós temos contato com pessoas de várias regiões, o que exige uma precaução constante. Então, tanto os funcionários quanto os alunos devem estar atentos às medidas de cautela", comentou ele.
A professora Ana Paula Duarte Seleghim, do curso de Química Industrial, tem opinião semelhante: "a situação é mesmo muito preocupante, principalmente por se tratar de um vírus tão contagioso! Por isto, eu alerto aos nossos alunos para que, se perceberem sintomas semelhantes aos da gripe, não venham à escola e procurem auxílio médico com urgência. Em geral, principalmente as gestantes, que fazem parte do grupo de risco, devem se prevenir. Na escola, aliás, temos vários cartazes divulgando as precauções", disse ela.
A aluna Érica Patrícia de Souza, do curso de Química Industrial (1ª à dir.): "a situação está crítica, principalmente em lugares onde se concentram muitas pessoas"
Para a aluna Érica Patrícia de Souza, também de Química Industrial, a situação é mesmo crítica: "a gente precisa se preocupar principalmente nos ambientes onde se concentram grande número de pessoas e que estas sejam de lugares diferentes. Na verdade, as pessoas acabam pensando que o problema nunca acontecerá com elas, o que é um erro muito grande, pois o vírus pode estar em todo lugar, o que aumenta a necessidade de se prevenir", comentou.
O professor Antônio Carlos Cerdeira, da área de Letras, tem opinião diferente das anteriores: "eu vejo o risco de pandemia da gripe suína como uma situação onde há menos verdade no que está sendo divulgada. Percebo, ainda, alguns interesses paralelos a este tipo de situação, como o comércio de medicamentos no país que foi o pioneiro no desenvolvimento de vacinas. Então, existem interesses que até suscitam algumas dúvidas com relação ao surgimento deste vírus", suspeitou ele.
Júlio César Oliveira, do setor de apoio docente, concordou com o colega de trabalho: "é uma coisa complicada, pois a gripe suína começou no México, um país que é vizinho dos EUA e logo os norte-americanos é quem têm a patente da cura? Eu acho que isto é mais interesse econômico dos Estados Unidos do que realmente o que está sendo divulgado. Contudo, que a gripe existe ninguém pode negar e tem que tomar muito cuidado com ela", admitiu o rapaz.
O estudante do curso de Administração, Fabrício Zingra Faim, também não vê tanta necessidade de alarmes: "eu acho que as pessoas estão se preocupando muito além da conta por uma coisa que não deveriam. Digo isto porque há uma série de precauções que podem ser tomadas para evitar a contaminação. Além disso, devemos lembrar que a gripe conhecida como 'comum' já matou mais de setenta mil pessoas no Brasil e isto ninguém fica falando", salientou ele.
Aline Arantes, do curso de Direito, por outro lado, argumentou: "evidentemente, a gente vê o surto de gripe suína como um ato negativo para a saúde humana. Porém, há de se levar em conta um aspecto positivo, que é a divulgação sobre os quesitos preventivos. A notícia sobre a precaução está acontecendo na TV, nas escolas e nos sites. Por aí, a gente toma consciência de que esta nova gripe não é tão simples de ser resolvida, mas há muitas formas de evitá-la", alertou a jovem.
Ricardo Zavagli Suarez, também do curso de Direito, chamou a atenção: "eu vejo tudo isso como uma falta de responsabilidade por parte do poder público. Em minha opinião, existe sim uma prevenção e eu até tenho comentado isto com os meus amigos da área de saúde. Quero aproveitar a oportunidade para falar sobre eventos de grande concentração de pessoas, onde é necessário um cuidado extremo, o que quer dizer que se deve preocupar muito mais com o lado humano do que o econômico", disparou.
A coordenadora do curso de Biologia, Isabel Ribeiro do Valle Teixeira: "toda pandemia é perigosa, mas no caso da gripe nós sabemos como ela é passada de uma pessoa para a outra"
Felipe Gonçalves Coelho, do mesmo curso, criticou: "a gripe suína acabou se transformando numa coisa muito sensacionalista por parte da população e não dos especialistas, é claro, pois eles trabalham com olhos mais rígidos. Mas a população acabou deixando a desejar, aumentando bem o fato, fazendo piadinhas e tal... é o que eu acho. Há lugares, por exemplo, onde falta um pouco de cuidado, como nos bebedouros d'água, os quais são usados por muitas pessoas e isto pode gerar uma transmissão do vírus".
A coordenadora do curso de Biologia, Isabel Ribeiro do Valle Teixeira, prestou informações importantes: "toda pandemia é perigosa, mas no caso da gripe nós sabemos como ela é passada de uma pessoa para a outra. Então, eu aconselho todo mundo a não entrar em pânico e que as pessoas utilizem os métodos de prevenção para que não se contaminem", disse ela. O professor do curso de Fisioterapia, Luiz Henrique Gomes Santos, acrescentou: "a gripe suína é um vírus que está cada vez mais resistente e a gente vê surgindo mais e mais casos, onde é apresentada a sintomatologia. Então, o ideal é se prevenir com os métodos já divulgados por aí".
Para o aluno Rogério José de Souza, experiente pela atuação em unidade de saúde em Guaxupé, a sociedade deve se ater ao fato de que prevenir ainda é o melhor remédio: "as pessoas precisam entender, primeiramente, que há muitas maneiras de se prevenir da gripe suína, como lavar bem as mãos, manter distância uma pessoa da outra e tomar outros cuidados. Assim, evita-se bem o contágio e as pessoas podem ficar mais tranquilas", sugeriu ele.
Consciente, o pró-reitor administrativo do Unifeg, Jairo Pedro Cardoso, falou sobre os métodos de prevenção adotados pela escola: "nós adiamos o reinício de nossas aulas e agora estamos divulgando a origem e prevenção da doença por meio de cartazes e a experiência de nossos professores, principalmente os da área de infectologia. Como educadores, nossa obrigação é informar, prevenir e proteger nossos acadêmicos", ressaltou ele.
O pró-reitor administrativo, Jairo Pedro Cardoso e o reitor do Unifeg, padre Antônio Roberto Ezaú dos Santos
Para o reitor da instituição, padre Antônio Roberto Ezaú dos Santos, há muitas informações desencontradas. No entanto, ele afirma que a escola está atenta: 'nós limpamos todos os móveis do Centro Universitário com álcool e estamos tomando todas as precauções que nos são indicadas. Porém, sinceramente não sei até que ponto isto é eficaz, mas é claro que temos uma preocupação enorme com o bem-estar de nossos alunos. Isto, em todos os sentidos, mas já que estamos falando da gripe suína, digo que a saúde é o principal na vida das pessoas e, por isto, continuaremos fazendo o que for preciso para livrar nossa comunidade deste mal", completou ele.
No Unifeg, as férias que antes seriam encerradas em 1º de agosto, acabaram se estendendo até o dia 8 por medida de prevenção adotada pela reitoria. A precaução, neste aspecto, ocorreu em atendimento às recomendações da Organização Mundial de Saúde e, consequentemente, da Secretaria Estadual de Saúde. No decorrer da semana, porém, as aulas reiniciaram-se e a comunidade acadêmica pode retomar os estudos, utilizando-se dos meios preventivos adotados pela escola.
Em Guaxupé, até a noite desta terça-feira, 11 de agosto, nenhum caso de gripe suína havia sido confirmado no Município. Há, por outro lado, dois casos suspeitos sendo investigados por parte da saúde pública da cidade. Em Minas Gerais, até a referida data, a SES confirmou três mortes causadas pela doença: uma em Belo Horizonte, outra em Betim, também na região metropolitana e a terceira em Ipaba, no Vale do Rio Doce. Causada pelo vírus Influenza tipo A, a doença respiratória originou-se dos porcos e tem se propagado numa velocidade considerável, o que consequentemente já causou um grande número de mortes no mundo.
O Ministério da Saúde recomenda alguns cuidados que devem ser tomados para quem for viajar para esses lugares: