Serviço Social

Alunos do Unifeg assistem ao lançamento de "Salve Geral" e conhecem pessoalmente protagonista do filme

13/11/2009 - Carlos Alberto - Assessor de Imprensa - assessoriaimprensa@unifeg.edu.br

O ator é entrevista pelo repórter Carlos Alberto

Os alunos do curso de Serviço Social do Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé assistiram ao lançamento do filme "Salve Geral", há poucos dias, no Cine Teatro 14 Bis, dirigido por Mauri de Almeida Palos. Estrelado pelo guaxupeano Eucir de Souza, o longametragem brasileiro foi inspirado na história da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que praticamente parou a cidade de São Paulo, em pleno Dia das Mães, no ano de 2006.

A Sala Santos Dummont foi literalmente tomada por telespectadores, que já aguardavam com ansiedade o filme que concorre ao Oscar. Entre eles, os universitários do Unifeg, que aproveitaram os fatos reais divulgados na história fictícia para elaborar trabalhos a respeito das falhas da segurança pública brasileira e outros problemas sociais gerados por diferentes aspectos.

Mauri Palos, do Cine 14 Bis, apresenta Eucir ao público guaxupeano

Após o filme, que durou cerca de duas horas, estudantes e demais presentes participaram de um debate com o artista Eucir, que falou sobre sua experiência dentro de cadeias públicas e todos os procedimentos adotados para gravar o longa. Junto aos universitários estavam os professores Renato Veroneze e Ana Maria Ramos Estevão, coordenadora do referido curso.

Esta não foi a primeira vez que estudantes do Unifeg foram a lançamentos de filmes de Eucir de Souza. Há algum tempo, alunos do curso de Letras assistiram ao "Menino da Porteira", também no Cine 14 Bis, quando o artista guaxupeano debateu a produção cinematográfica. Naquela ocasião, a iniciativa de levar os discentes até o cinema partiu da professora Marly de Souza Almeida, que coordena o curso de Letras no Unifeg.

A história de Salve Geral

Inspirado em fatos reais, o filme do diretor Sérgio Rezende retratou o caos provocado por integrantes do PCC, há pouco mais de três anos, quando houve rebelião em dezenas de presídios, além de assassinatos de policiais pelas ruas, incêndio de veículos e estabelecimentos comerciais.

A estudante universitária Camila Silva Ribeiro e a coordenadora do curso de Serviço Social do Unifeg, Ana Maria Ramos Estevão, assistiram ao filme

O clima de destruição foi resultado das ordens de Chico (interpretado por Eucir), líder do PCC, que determina uma verdadeira "festa de mau" por causa da transferência de membros do "Partido" para penitenciárias de segurança máxima. Desta forma, o sistema carcerário se vê refém de criminosos que se organizam assustadoramente, motivados pelo lema de "paz, justiça e liberdade", bancados por alta quantia em dinheiro, influência e muito poder.

No meio disto tudo, ocorre a história de uma mãe viúva, identificada por Lúcia (Andréia Beltrão), que se envolve com o "Partido" para tentar tirar seu filho de 18 anos da cadeia. Desta forma, Sérgio Rezende mescla ficção com realidade, uma vez que conforme o próprio diretor revela em suas entrevistas, sua paixão é criar mentiras para retratar a realidade. Isto, inclusive, já aconteceu em outros filmes dele, cuja fama ampliou-se com os longas "Zuzu Angel", de 2006, "Quase Nada", de 2000, "Mauá - O Imperador e o Rei", de 1999, "Guerra de Canudos", de 1997 e "O Homem da Capa Preta", de 1986.

O "salve" de Eucir aos guaxupeanos

É bem verdade que o calor do público é que alimenta o artista. Mas, também não é mentira que ser reconhecido na cidade de origem é ainda melhor, principalmente para quebrar o rótulo de que "santo de casa não faz milagre". Com Eucir de Souza, a situação é cada vez mais positiva, neste aspecto. Ou seja, todas às vezes que ele participa de estréias de seus filmes no Cine 14 Bis a resposta do público é imediata.

O professor do Unifeg, Aurélio Miguel e o ator Eucir de Souza, no Cine 14 Bis

Na noite de "Salve Geral", por exemplo, a Sala Santos Dummont recebeu pessoas de diferentes gostos, idades e classes sociais, além dos universitários do Unifeg, para ver de perto o dono de um dos principais personagens do filme. Durante o debate com o artista, a maioria das pessoas quis saber o que ele acha sobre o fato de quem está certo ou errado na guerra entre polícia e bandidos. Mas, o guaxupeano prefere manter-se o mais isento possível: "o filme tem uma coisa muito boa, que é o lance de a gente não tomar partido algum: não ficamos a favor dos bandidos, não pegamos leve com a polícia e não fizemos uma história impossível. Acho que falar de artes é mais importante e relevante para a vida futura das pessoas, que não devem entrar no mérito da história, pois é uma discussão que não vai ter fim nunca", opinou ele.

Devido às emoções fortes e reais de Salve Geral, Eucir precisou de um preparo em diferentes sentidos, a fim de não se envolver psicologicamente com a situação: "a vida na cadeia é dura mesmo... fazendo no cinema, já é uma realidade muito dura. Então, me cuidei bastante até espiritualmente para não entrar naquela atmosfera. Ou melhor, para poder entrar e sair sem me prejudicar. Estudei muito sobre o PCC e sei até sobre as coisas positivas que tem lá dentro. Mas, ao mesmo tempo, é algo muito terrível", disse ele, que fez pesquisas, leu livros e teses sobre o PCC.

A Sala Santos Dummont recebeu público expressivo para a estréia de Salve Geral

Dono de uma carreira impecável, com ênfase a trabalhos teatrais, mas cheia de passagens marcantes pela TV e o cinema, Eucir atravessa ótima fase: principalmente porque o filme que retrata a história do crime organizado em São Paulo está entre os concorrentes ao Oscar, maior premiação da Sétima Arte, em nível mundial. "Todo mundo está feliz com esta história da indicação ao Oscar e torcemos para ficar entre os cinco melhores", disse ele, que admitiu surpresa com o sucesso estrondoso, apesar de frisar que tudo foi feito com o coração durante o período das filmagens. "O legal é que outros filmes muito bons também estavam concorrendo à indicação, como os próprios: Menino da Porteira e Se Nada Mais Der Certo, dos quais eu participei", completa o artista.

Dinâmico, o ator não gosta de ficar parado, apesar de exercer uma profissão que desgasta bastante. Neste sentido, ele já está trabalhando em dois outros projetos, mas optou por não revelá-los, ainda, por questão de ética: "eu continuo com a peça teatral Amigas, pero no mucho, que parece que será para sempre (risos). Mas, tenho duas propostas para filmes muito bons. Porém, como eu ainda não fechei nada, prefiro não comentar", concluiu ele, que frequentemente está em Guaxupé para matar a saudade dos pais e amigos.

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