Fisioterapia

Após dezesseis dias no Canadá, professor do Unifeg conta a experiência vivida nas Olimpíadas de Inverno

04/03/2010 - Carlos Alberto - Assessor de Imprensa - assessoriaimprensa@unifeg.edu.br

O professor Mateus e a atleta Lydia Lassila, da Austrália, que conquistou a medalha de ouro em “aerials” de esqui acrobático

O professor Mateus Simões Mendes reiniciou suas atividades no Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé na noite de terça-feira última, 2 de março. Isto, depois de ter passado dezesseis dias em Vancouver, no Canadá, onde participou da 21ª Olimpíada de Inverno, tendo sido o único brasileiro a exercer a profissão de fisioterapeuta esportivo na competição internacional. Sua volta à instituição onde leciona pelo curso de Fisioterapia foi marcada pelo reconhecimento e o orgulho da reitoria, professores e alunos.

O professor Mateus sorri ao ser pego de surpresa por alunos, professores e membros da reitoria, que o aplaudiram durante o retorno

"Sem dúvida, esta é minha maior conquista! Primeiro, porque alcancei o grau máximo dentro de minha profissão. Depois, pelo fato de eu ter passado por um processo seletivo árduo para entrar lá", explicou o professor, na entrevista feita com a assessoria de imprensa do Unifeg, logo após seu retorno. Mateus se inscreveu para participar das Olimpíadas em fevereiro de 2008. Até atingir seu objetivo, no entanto, foi submetido a provas teóricas durante um ano e meio sobre as mais diferentes áreas, tendo concorrido com profissionais de vários países. "Fiquei sabendo da aprovação em junho último, quando obviamente fiquei muito feliz", ressaltou ele.

Mateus contou a experiência vivida durante dezesseis dias em Vancouver

Em Vancouver, o professor trabalhou, em turnos alternados, todos os dias em que permaneceu na Vila Olímpica. "No sábado de carnaval, quando os brasileiros se divertiam, eu estava trabalhando. Mas, a verdade é que não se percebe nada disto, pois é tanta coisa para aprender que não dá nem para notar a passagem do tempo", brincou Mateus, que integrou uma equipe de oito profissionais, formada por fisioterapeuta, massagista, quiropraxista e médicos de várias especialidades. Além do brasileiro, o grupo era integrado por canadenses, australianos e clínicos de Trinidad e Tobago.

A coordenadora do curso de Fisioterapia no Unifeg, professora Daísa, teceu palavras em reconhecimento à aventura de seu colega de profissão

Durante os dezesseis dias em que permaneceu no Canadá (ele iniciou o trabalho em 12 de fevereiro), Mateus aperfeiçoou bastante sua profissão. Segundo ele, o que mais impressionou foi a diferença das técnicas de cada membro da equipe. No entanto, o professor observou que, na maioria das vezes, o raciocínio é o mesmo, independente da nacionalidade de cada um. "O que muda de um país para outro são os recursos. Por exemplo, em Vancouver havia equipamentos de alta tecnologia, que contribuem muito para a recuperação de atletas. Mas, trata-se de aparelhos caros, que a gente não tem condições de adquiri-los com tanta facilidade. Esta foi a grande diferença que percebi", disse Mateus.

AoAo centro, Mateus ouve a homenagem da aluna Mirian, do 5º período de Fisioterapia, feita para ele

Contudo, o crescimento profissional foi muito grande, narrou o brasileiro, que enalteceu o companheirismo e a ajuda mútua das pessoas com quem trabalhou. Mais do que isto, Mateus obteve a certeza do sucesso de sua atuação ao ser informado de que o grupo ao qual fez parte foi considerado o melhor da história das Olimpíadas de Inverno. "Eu recebi um e-mail ontem do meu chefe de trabalho, transmitido pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional, no qual ele diz que nossa clínica foi eleita como a melhor da história das Olimpíadas. Isto é magnífico, pois participei de algo que é excelência! No e-mail, ele ainda diz que nossos métodos devem ser seguidos como referência", orgulhou-se Mateus, que realizou trabalho totalmente voluntário, auxiliado economicamente pelo Unifeg.

Daísa lê texto onde recorda a frase de Fernando Pessoa: “tudo vale a pena quando a alma não é pequena” para lembrar a garra do amigo Mateus. Ao fundo, o pró-reitor acadêmico do Unifeg, professor José Lázaro de Souza

 

A grande demanda de trabalho impediu que Mateus se focasse nas disputas, embora ele tenha elogiado os atletas do Brasil. "Eu não consegui me prender às provas dos brasileiros, pois estava trabalhando e também não tinha muita gente de nosso país competindo. Mas, é difícil para o Brasil, pois nós não temos neve, o que torna complicado para os atletas obterem bons resultados. Contudo, eu considero que eles foram excelentes, mas o que percebi é que os canadenses adoram os brasileiros, têm muito respeito e admiração", disse o professor.

Cheio de boas recordações, Mateus garante que em sua mente ficarão muitas histórias. Entre todas, porém, ele se emocionou com a gratidão da atleta australiana Lydia Lassila, que conquistou a medalha de ouro na modalidade "aerials" de esqui acrobático na última quarta-feira. "Ela se tratou todos os dias com a gente e, quando terminou a competição, apesar das muitas entrevistas marcadas com a imprensa mundial, foi à clínica nos agradecer. Outro caso é um cadeirante canadense que ficou famoso por ter atravessado todo aquele País numa campanha de combate ao câncer. O rapaz visitou Mateus, que fez questão de ser fotografado com ele. "Eu o agradeci, mas fui advertido de que era ele quem estava grato por ter falado com voluntários, que trabalhavam lá em prol da saúde de outras pessoas", disse Mateus.

Mateus Simões Mendes foi o único brasileiro a atuar como fisioterapeuta esportivo no interior da Vila Olímpica em Vancouver

O reconhecimento

Logo após a entrevista à assessoria de imprensa do Unifeg, Mateus se deslocou ao Laboratório de Cinesioterapia, onde ministraria aula. Na chegada, porém, ele foi surpreendido por dezenas de alunos, professores e membros da reitoria, que o aplaudiram por vários minutos. No local, a coordenadora do curso de Fisioterapia, Daísa dos Reis Riboli Rodrigues falou sobre a aventura de seu colega de profissão. Com palavras do escritor Fernando Pessoa, Daísa lembrou a frase famosa do autor, que diz que "tudo vale a pena quando a alma não é pequena". Tais palavras tiveram relação com a coragem e a garra de Mateus, que buscou sabedoria em outro continente para colocá-la em prática na sua terra de origem.

Além da professora Daísa, a aluna Mirian Aparecida Souza de Almeida, do 5º período de Fisioterapia no Centro Universitário, leu um texto feito por ela e amigos seus, em homenagem ao professor, que agora se tornou ainda mais ídolo. Em entrevista, a universitária falou sobre a torcida por Mateus durante os Jogos de Inverno. "Em primeiro lugar, ele é um exemplo e seu feito é uma motivação a mais para nós, acadêmicos. Depois, digo que é um orgulho cursar com um professor que voa tão alto. E, por fim, vou lembrar aqui que todos os dias nós pensamos no Mateus, torcemos por ele e assistimos aos Jogos de madrugada. Isto, mais por causa dele do que da competição, que não é uma tradição entre nós, brasileiros", finalizou a aluna.

Também muito feliz, o pró-reitor acadêmico José Lázaro de Souza comentou: "O Mateus não é só nosso professor, mas meu amigo pessoal. Para o Centro Universitário, a participação dele nas Olimpíadas de Inverno foi motivo de grande orgulho e para mim, não foi diferente. Fiquei todos os dias na torcida por ele e já sabia que realizaria um ótimo trabalho em prol dos atletas dos Jogos do Canadá. Agora, vê-lo de volta, é mais uma grande alegria para todos nós, da comunidade Unifeg", finalizou José Lázaro.

A universitária Mirian Aparecida de Souza Almeida lê texto produzido por ela e suas amigas em homenagem ao professor/ídolo

O professor Mateus com membros de sua equipe

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