O salão do júri é uma espécie de laboratório real para os estudantes de Direito
Alunos do curso de Direito do Centro Universitário da Fundação Educacional Guaxupé participaram, de diferentes maneiras, do julgamento realizado pelo Tribunal do Júri na última sexta-feira, 18 de junho, no Fórum da Comarca local. Apontado como um dos mais brutais crimes da história do Município, o caso atraiu expressiva atenção por parte da comunidade, que lotou o Palácio da Justiça guaxupeano. Para os estudantes, a experiência foi de extrema importância na complementação do aprendizado oferecido pela instituição escolar.
João Paulo Martins Magalhães, André Abraão Quirino Santos e Fernanda Reis Custódio
No julgamento, figurou como ré a guaxupeana Sueli Aparecida Lino, de 28 anos. Ela e outras oito pessoas (sendo seis menores) foram acusadas de assassinar, a pauladas e pedradas, o servente de pedreiro Willian Ribeiro Basilis Martins, de 19 anos, em 17 de dezembro de 2005, num terreno baldio às margens da Avenida Valdomiro Cecílio Ribeiro, no Jardim Planalto. Do crime, Sueli foi a única levada ao banco dos réus, já que dos outros dois supostos autores, Luiz Paulo Basílio, 23 anos, faleceu em 2008 e Norival dos Reis, 27, não foi denunciado por falta de provas. Os demais envolvidos, L. O. A., C. B. S., M. F. P., L. M. S., J. C. O. e F. A eram menores na época, tendo alguns deles figurado apenas como testemunhas.
Felipe Baldini Medeiros Macedo, Felipe Gonçalves Coelho e Gabriela Ercília Dias
A sessão foi presidida pelo juiz Marcos Irany Rodrigues da Conceição, que após a decisão dos jurados aplicou a sentença de doze anos e meio à ré. Como representante do Ministério Público atuou o promotor Thales Tácito Pontes Luz de Pádua Cerqueira, enquanto a defesa foi feita pelo defensor público Leonardo César Matheus e o advogado nomeado, Lauro Braga Ferreira Filho. Junto à dupla de defensores, atuaram os estudantes do Unifeg, Luiz Fernando Olinto Marques de Souza, de 21 anos e Felipe Mendes Smargiassi, da mesma idade. Estagiários da Defensoria Pública, o dois vivenciaram boa parte das sensações as quais praticarão após concluírem o curso de Direito.
Laura Charallo Grisolia Elias e Maria Emília Cevitereza Emiliano
Para Luiz Fernando, a experiência foi fundamental: "foi uma grande aprendizagem prática, pois é totalmente diferente de estar na sala de aula. É um diferencial que certamente nos ajudará muito em nosso curso do Unifeg. Eu penso em prestar concursos, embora goste muito de trabalhar na Defensoria Pública", disse o rapaz. "Para mim, foi muito bom, pois participei de algo dentro da sociedade que me foi proporcionado através dos estudos que realizo. A prática é muito importante, aliada ao curso do Unifeg, que é ótimo, principalmente as aulas de Direito Civil e Penal. Na minha família, todos seguem a carreira jurídica e eu não quero fugir à regra", acrescentou Felipe. "Acho que é essencial fazer estágio, pois o curso é bastante teórico", completou Fernanda Reis Custódio, do 5º período.
O professor Rogério Valdir Velho Filho (ao centro) também acompanhou o julgamento
Além dos três alunos do Unifeg, o julgamento de sexta-feira contou com a participação de dezenas de estudantes da instituição, cuja maioria permaneceu no salão do júri durante as dez horas de duração do evento jurídico. Orgulhoso, o professor Rogério Valdir Velho Filho, da área de Constituição e Processo no curso de Direito do Centro Universitário, conferiu de perto a dedicação de seus alunos. "Achei muito importante eles terem acompanhado, pois a instituição do júri é muito antiga e representa um julgamento realizado pela própria comunidade. Isto, tendo em vista a gravidade do crime e a comoção social que ele causa", observou o educador.
À frente, o defensor público Leonardo César Matheus. Ao fundo, os estagiários Luiz Fernando, Felipe e Fernanda
Para o defensor público Leonardo Matheus, a atuação dos estudantes do Unifeg junto ao órgão que ele administra tem sido de extrema valia. "São meninos perfeitos! Dedicados e comprometidos com o trabalho da Defensoria. Estou muito feliz por proporcionar não só a estes, mas aos vários estagiários que já passaram por aqui, um conhecimento prático e uma direção para concursos. Eu digo que fazer estágio na Defensoria Pública é uma oportunidade ímpar, pois eles estão em contato com todo tipo de gente. É, na realidade, uma novela da vida real", finalizou o defensor público.
O promotor Thales, o juiz Marcos Irany e o auxiliar Paulo Marcelo
O salão do júri foi ocupado pelos estudantes do curso de Direito do Unifeg
Compenetrado, aluno do Centro Universitário faz relatório sobre o julgamento que assiste
Jefferson Wender de Souza acompanha a aplicabilidade das leis por meio de seu livro de Direito
Janaína Cruvinel de Jesus e Everton Luiz Batista